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Ministério da Fazenda de Lula é uma fria
Ricardo Stuckert
Política

Ministério da Fazenda de Lula é uma fria

Por Paula Soares

Comandar a economia do governo Lula seria o maior problema da vida do matemático Rafael Fonteles; que o digam Haddad, Palocci e Mantega.

O debate sobre um artigo do economista André Lara Resende mostrou o tamanho do problema que o Brasil escolheu ao reeleger Lula (ao centro na foto) para um quarto mandato.

Os petistas tentam convencer o país de que não há problema, que as preocupações com as contas do governo não passam de implicância do mercado financeiro e que o Brasil deveria estar celebrando a manutenção da democracia após a derrota e consequente fuga de Flávio Bolsonaro (PL-RJ)

Mas nem o país é uma democracia plena nas mãos do PT, como escancarou a eleição deste ano, nem as contas públicas estão saudáveis, como indica a tão incômoda taxa básica de juros.

Equilíbrio fiscal

Em meio à cantilena petista de Sérgio Gabrielli, Gleisi Hoffmann e Guilherme Boulos de que o governo não precisa de um ajuste fiscal e foi reeleito contra a proposta de um, o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (à esquerda na foto), proclamou “Viva o Equilíbrio Fiscal!!!” ao anunciar a recondução de Emílio Joaquim de Oliveira Júnior como secretário de Fazenda do Piauí para seu quarto mandato.

Esse tipo de postagem só reforça a especulação de que Fonteles pode vir a se tornar ministro da Fazenda de Lula, na perspectiva de nacionalizar seu nome e se viabilizar para suceder o presidente.

O problema é que quem manda no Ministério da Fazenda de Lula é o próprio Lula, como destacou Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central (BC) e ex-ministro da Fazenda de Michel Temer, ao alertar para risco de recessão no próximo governo no caso de falta de ajustes.

“Tem que olhar para a relação dele [o ministro escolhido] com o Lula e ver se ele teria força de fato de aplicar essa agenda“, comentou o presidente do BC nos dois primeiros mandatos de Lula.

Leia mais: Rafael Fonteles na Fazenda: motivo para otimismo?

Taxadd

Que o diga Fernando Haddad, que tentou enganar os agentes econômicos com um ajuste fiscal em novembro de 2024 e acabou fazendo o dólar disparar para 6 reais.

Haddad tentou mascarar a sanha petistas por gastos com o discurso da “justiça tributária”, mas acabou deixando o governo com o apelido de Taxadd e perdeu a eleição para o governo de São Paulo ainda no primeiro turno para Tarcísio de Freitas (Republicanos).

O drama para o próximo ministro da Fazenda de Lula é que fazer o ajuste que precisa ser feito para baixar o juros também não é garantir de sucesso, e Antonio Palocci é prova disso.

Palocci

Fiador econômico do primeiro mandato de Lula junto com Meirelles, Palocci acabou vítima do próprio sucesso, por fazer o governo prosperar contra tudo o que os petistas sempre pregaram.

O governo Lula colheu os louros do equilíbrio fiscal sob Palocci, mas o ministro da Fazenda acabou vítima dos próprios petistas, que preferiram tentar a sorte com Guido Mantega do que ser elogiados por se submeter a um “tucano” disfarçado de petista, como era tratado.

Desde que deixou o governo Dilma Rousseff, Mantega assombra o mercado sempre que reaparece, como aconteceu no governo de transição em 2022. Depois de Lula tentar encaixá-lo na presidência da Vale, Mantega acabou indo parar no tóxico Banco Master.

Enfim, o ministro da Fazenda de Lula terá de fazer aquilo que o presidente quiser, por mais que discorde. E, se ousar fazer o que tem de ser feito pela saúde das contas públicas, corre o risco de ser fritado dentro do próprio governo. Seria o maior problema já enfrentado pelo matemático Fonteles.