Classe médica cobra do presidente do Cremepe, Miguel Arcanjo, providências após exposição de médicos pelo prefeito de Barreiros
Por Laura Mendes
A repercussão do episódio envolvendo o prefeito de Barreiros, Carlinhos da Pedreira (PP), que abordou médicos plantonistas dentro do Hospital Municipal Jailton Messias de Souza Albuquerque e expôs os profissionais nas redes sociais, provocou indignação entre integrantes da classe médica. A principal cobrança é direcionada ao Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe), presidido por Miguel Arcanjo dos Santos Júnior, que, até o momento, se manifestou apenas por meio de uma nota oficial de repúdio.
A publicação do Conselho nas redes sociais recebeu uma série de comentários de médicos e outros profissionais, que consideraram insuficiente a manifestação e cobraram providências mais efetivas da entidade e de seu presidente.
Entre as manifestações, há críticas à falta de medidas concretas diante da exposição dos profissionais. Um dos comentários questiona se a nota de repúdio será a única iniciativa do Conselho e defende que alguma medida seja adotada contra o gestor.
Outro profissional destacou que os médicos foram difamados, sofreram acusações graves e acabaram demitidos, cobrando uma atuação mais firme do Cremepe.
Também houve manifestações de solidariedade aos plantonistas, com relatos sobre as dificuldades enfrentadas pela categoria, como desvalorização profissional, condições precárias de trabalho, falta de profissionais nas unidades e atrasos de meses no pagamento de salários.
Outros comentários ampliaram a cobrança, defendendo que o Conselho também fiscalize os serviços de saúde e os vínculos de trabalho, ressaltando que a defesa dos médicos e da população exige acompanhamento permanente e não apenas manifestações públicas.
Na nota oficial, publicada na quinta-feira (5), o Cremepe afirma que eventuais questionamentos sobre assistência médica e cumprimento das escalas devem ser tratados pelos meios institucionais e legais, sem exposição ou constrangimento dos profissionais. O Conselho também defendeu o respeito à honra, à imagem e à dignidade dos médicos e a apuração de possíveis irregularidades com garantia do contraditório e da ampla defesa.
Apesar do posicionamento, a cobrança nas redes sociais deixa um recado direto ao presidente Miguel Arcanjo dos Santos Júnior e à entidade: nota de repúdio não basta. A classe médica espera providências concretas diante do episódio e uma atuação mais incisiva na defesa dos profissionais.