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Gestão Zé Luiz é marcada por investigações do MPPE sobre suspeitas de nepotismo em Lagoa do Carro
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LAGOA DO CARRO

Gestão Zé Luiz é marcada por investigações do MPPE sobre suspeitas de nepotismo em Lagoa do Carro

Por Laura Mendes

A gestão do prefeito Zé Luiz, em Lagoa do Carro, na Zona da Mata Norte de Pernambuco, vem sendo alvo de investigações do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) relacionadas a suspeitas de nepotismo na administração municipal. Os procedimentos envolvem nomeações para cargos públicos e uma contratação temporária na Secretaria de Saúde.

Um dos casos foi apurado pela 2ª Promotoria de Justiça de Carpina no Inquérito Civil nº 02207.000.241/2025, instaurado após o recebimento de denúncias sobre a possível existência de parentes de agentes políticos ocupando cargos comissionados e funções de confiança na Prefeitura e na Câmara Municipal.

As diligências realizadas pelo Ministério Público identificaram servidores com vínculos familiares com o prefeito José Luiz Alves de Amorim e com quatro vereadores: Claudemir do Amaral Lima, José Lúcio do Nascimento, Sérgio Ricardo Vasconcelos e Josivan Valdeci da Silva. Entre os parentes citados estão cônjuges, filhos, irmãos, sobrinhos e cunhados. O MPPE, no entanto, não divulgou os nomes dos servidores nem especificou individualmente a qual autoridade cada familiar está ligado.

Além da investigação, o MPPE ajuizou uma Ação de Improbidade Administrativa contra agentes públicos municipais, distribuída à 3ª Vara Cível da Comarca de Carpina, sob o número 0002074-33.2026.8.17.2470. A ação busca a aplicação das sanções previstas na legislação por suposta violação aos princípios da administração pública. O ajuizamento não significa que os envolvidos tenham sido condenados.

Outro procedimento foi instaurado em outubro de 2026, quando o MPPE abriu o Inquérito Civil nº 02207.000.208/2026 para apurar uma possível contratação temporária de uma servidora que seria filha da atual secretária municipal de Saúde, Maraisa Morgana.

Nesse procedimento, o promotor de Justiça Guilherme Graciliano Araújo Lima determinou a notificação da servidora e da secretária para que apresentassem manifestação por escrito sobre as alegações no prazo de 20 dias.

Os dois procedimentos colocam diferentes situações da administração municipal sob análise do Ministério Público e ampliam os questionamentos sobre possíveis práticas de nepotismo na gestão. Até o momento, porém, as investigações não representam comprovação definitiva de irregularidades ou condenação dos citados.

A legislação brasileira, por meio da Súmula Vinculante nº 13 do Supremo Tribunal Federal, proíbe a nomeação de cônjuges, companheiros e parentes até o terceiro grau para cargos comissionados e funções de confiança, inclusive em situações de nepotismo cruzado, quando há troca de indicações entre autoridades.