Câmara do Recife
Oposição quer mudar regras de classificação indicativa após censura de ‘desenhos bíblicos’
Kayo Magalhães
Política

Oposição quer mudar regras de classificação indicativa após censura de ‘desenhos bíblicos’

Por Vitória Virginia

O líder da oposição na Câmara dos Deputados, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), apresentou um projeto de lei para estabelecer novos critérios para a classificação indicativa de programas de televisão, espetáculos públicos e outras produções audiovisuais.

A proposta determina que o Ministério da Justiça (MJ) considere os contextos histórico, religioso, educativo, cultural, artístico e científico das obras antes de elevar a faixa etária recomendada.

A iniciativa ocorre após o governo federal decidir aumentar de livre para 12 anos a classificação indicativa de um desenho animado com histórias bíblicas, exibido nessa condição desde 2003 pela TV Record. Depois da repercussão negativa do episódio, o MJ revogou a portaria.

O projeto de lei 5.734/2026 acrescenta um artigo ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para estabelecer que a simples representação de fatos históricos, narrativas de textos sagrados de qualquer religião, obras literárias consagradas ou conteúdos educativos não seja suficiente, por si só, para elevar a classificação etária.

A restrição seria admitida quando houvesse apologia, exploração gratuita ou detalhamento gráfico incompatível com a faixa etária pretendida.

Na justificativa, Cabo Gilberto afirma que regras com impacto sobre a liberdade de expressão, a liberdade religiosa e o direito das famílias à informação não deveriam depender exclusivamente de portarias e orientações internas do Ministério da Justiça.

“O projeto não cria privilégio para qualquer crença. O critério de contextualização alcança, em igualdade de condições, narrativas de todas as confissões religiosas, fatos históricos, obras literárias e conteúdos educativos”, afirma o parlamentar.

A censura imposta aos desenhos bíblicos causou uma espécie de união informal de 27 parlamentares da Câmara, das seguintes siglas: o PL, Republicanos, União Brasil, Podemos e PP.

Os deputados apresentaram desde requerimentos de informação para obter detalhes das restrições impostas pelo Ministério da Justiça até projetos de decretos legislativos para sustar a portaria. O ministro Wellington Silva também foi ameaçado ser convocado para explicar a decisão da pasta.