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Fadurpe apoia diagnóstico sobre mudanças climáticas e desertificação em territórios indígenas e quilombola de Pernambuco
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Pernambuco

Fadurpe apoia diagnóstico sobre mudanças climáticas e desertificação em territórios indígenas e quilombola de Pernambuco

Por Vitória Virgínia

Estudo vai analisar vulnerabilidades socioambientais, participação comunitária e questões de gênero para subsidiar estratégias de adaptação e políticas públicas no Semiárido

Os impactos das mudanças climáticas e da desertificação atingem de forma particular os territórios indígenas e comunidades tradicionais do Semiárido, tornando fundamental conhecer suas vulnerabilidades, potencialidades e estratégias próprias de adaptação. É nesse contexto que a Fadurpe participa da execução de uma consultoria voltada à elaboração de um Diagnóstico Socioambiental e Econômico dos territórios dos povos indígenas Atikum e Pankará da Serra do Arapuá e da Comunidade Quilombola de Conceição das Crioulas, em Pernambuco. A iniciativa integra o projeto de cooperação técnica “Fortalecendo Capacidades para Combater a Desertificação no Semiárido” (BRA-RS-008), implementado pelo Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), sob coordenação técnica do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), com recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF).

Com duração prevista de quatro meses, o trabalho busca produzir informações técnicas que contribuam para compreender as condições ambientais, sociais, econômicas, culturais e institucionais dos territórios, além de identificar vulnerabilidades diante das mudanças climáticas e dos processos de desertificação. O estudo também vai analisar os mecanismos de participação social e governança territorial e incorporar a perspectiva de gênero às análises.

Para a secretária-executiva da Fadurpe, Ellen Viégas, apoiar iniciativas dessa natureza reforça o papel da Fundação na articulação entre conhecimento técnico, desenvolvimento sustentável e impacto social.“A produção de conhecimento precisa estar conectada aos territórios e às pessoas que vivem neles. Apoiar um projeto como este é contribuir para que os saberes das comunidades tradicionais sejam reconhecidos e para que políticas públicas de enfrentamento às mudanças climáticas sejam construídas a partir de uma realidade concreta.”, destaca Ellen.

A pesquisa será desenvolvida de forma interdisciplinar e participativa, combinando levantamento documental, análise de dados, atividades de campo, entrevistas, grupos focais, oficinas e observação direta. Também serão produzidos mapas temáticos e levantadas informações sobre recursos hídricos, uso e ocupação do solo, sistemas produtivos, acesso à água, tecnologias sociais, manejo da Caatinga, áreas degradadas e estratégias locais de adaptação climática. Os resultados serão posteriormente apresentados e discutidos com as próprias comunidades envolvidas.

Outro eixo importante da iniciativa é compreender como as comunidades participam de ações relacionadas às mudanças climáticas e ao uso sustentável dos recursos naturais, além de analisar o papel das mulheres na gestão dos territórios e as lacunas de gênero existentes nesses processos. A partir dos resultados, será construída, de maneira participativa, uma estrutura estratégica para fortalecer a articulação entre comunidades tradicionais e autoridades subnacionais no enfrentamento das mudanças climáticas e da desertificação.

A metodologia adotada também considera a valorização dos conhecimentos tradicionais e o respeito aos processos próprios de representação e decisão das comunidades. As atividades deverão observar os princípios da Consulta Livre, Prévia e Informada, além das salvaguardas socioambientais aplicáveis ao projeto, garantindo participação voluntária, informada e culturalmente adequada.

“Unindo o rigor técnico com a sabedoria ancestral e à liderança dos povos Indígenas e Quilombolas, no combate à desertificação e a crise climática do Semiárido, o diagnóstico transforma o conhecimento dos territórios e a equidade de gênero em bases reais para a justiça climática, dando protagonismo a quem vive e protege a Caatinga para gerar políticas públicas eficazes”, comentou Marilourdes Guedes, coordenadora do projeto.

A execução da consultoria pela Fadurpe nos territórios tradicionais de Pernambuco traduz o compromisso institucional com a justiça climática e a adaptação baseada em evidências locais. A elaboração do Diagnóstico Socioambiental e Econômico vai articular saberes ancestrais e técnico-científicos para mapear vulnerabilidades frente à desertificação. Integrando a perspectiva de gênero e a participação social, a iniciativa consolida estratégias participativas essenciais. Dessa forma, valoriza-se o protagonismo de povos indígenas e quilombolas na construção de políticas públicas duradouras.