Meirelles alerta para risco de recessão
Por Paula Soares
Ex-ministro da Fazenda diz que o responsável pela economia precisaria ter força para aplicar a agenda de ajuste fiscal.
Presidente do Banco Central nos primeiros governos Lula e ministro da Fazenda no governo Michel Temer, Henrique Meirelles (foto) falou sobre os desafios econômicos do quarto mandato do petista, e alertou para o risco de recessão caso o governo não se comprometa com um ajuste fiscal.
“Precisa ser claro: não adianta anunciar coisas com certas ambiguidades, tem que ser direto. O fato é que nós estamos já com a dívida pública elevada e, se continuarmos nesse ritmo de gastos fiscais, ela vai chegar a um ponto que vai ficar insustentável. Então, tem os componentes inflacionários que são resultado da expansão fiscal, mas tem também, lá na frente, um risco de recessão, como aconteceu em 2015 e 2016, no mandato ainda da presidente Dilma, quando o risco Brasil subiu muito, os investimentos caíram, a produção caiu e etc”, disse Meirelles à CNN Brasil Money.
Meirelles aproveitou para dizer que a economia só “só começou a se recuperar quando nós, eu, assumi o Ministério da Fazenda e conseguimos a aprovação do Congresso para o teto de gasto, fixando um teto, que era a inflação do ano anterior”.
Presidente do Banco Central nos primeiros governos Lula e ministro da Fazenda no governo Michel Temer, Henrique Meirelles (foto) falou sobre os desafios econômicos do quarto mandato do petista, e alertou para o risco de recessão caso o governo não se comprometa com um ajuste fiscal.
“Precisa ser claro: não adianta anunciar coisas com certas ambiguidades, tem que ser direto. O fato é que nós estamos já com a dívida pública elevada e, se continuarmos nesse ritmo de gastos fiscais, ela vai chegar a um ponto que vai ficar insustentável. Então, tem os componentes inflacionários que são resultado da expansão fiscal, mas tem também, lá na frente, um risco de recessão, como aconteceu em 2015 e 2016, no mandato ainda da presidente Dilma, quando o risco Brasil subiu muito, os investimentos caíram, a produção caiu e etc”, disse Meirelles à CNN Brasil Money.
Meirelles aproveitou para dizer que a economia só “só começou a se recuperar quando nós, eu, assumi o Ministério da Fazenda e conseguimos a aprovação do Congresso para o teto de gasto, fixando um teto, que era a inflação do ano anterior”.
“Só podia corrigir o total das despesas, e isso teve um efeito imediato e o Brasil saiu da recessão rapidamente”, lembrou o ex-ministro da Fazenda.
Aracbouço fiscal
Meirelles também criticou o atual arcabouço fiscal, apontando que a regra vigente carece de clareza e rigidez, além de ter sido enfraquecida por vultosas despesas mantidas fora dos limites oficiais.
“Um grande volume de despesas está sendo feita e o governo classifica isso em itens fora do arcabouço. Eles escolhem as despesas que estão no arcabouço e as que não vão, então, esse arcabouço perde a eficácia”, resumiu.
Segundo o ex-ministro, que concorreu à Presidência da República sem sucesso em 2018, essa flexibilidade contábil impede uma trajetória descendente sustentável para as contas públicas e aumenta o risco de futuras crises inflacionárias ou recessões.