Pernambuco deu a Lula mais de meio milhão de votos a mais no segundo turno. De quem são esses votos?
Por Vitória Virgínia
O crescimento da votação de Lula em Pernambuco, com mais de meio milhão de votos adicionais entre o primeiro e o segundo turno, revela uma realidade política que merece ser analisada sem paixões partidárias.
Uma parcela expressiva do eleitorado que escolheu Raquel Lyra para governar Pernambuco também confirmou seu voto em Lula para a Presidência da República. Entre esses eleitores estão pessoas historicamente ligadas à esquerda, quadros políticos com trajetória no PT e no PSB, além de pessoas ligadas à base política e administrativa do governo estadual.
São pessoas que, por diferentes razões, decidiram seguir um caminho próprio, sem necessariamente acompanhar as orientações de suas antigas referências partidárias.
Essa movimentação mostra que a política pernambucana é mais plural do que algumas narrativas partidárias tentam fazer parecer. O eleitor pode apoiar Raquel Lyra no plano estadual e Lula no plano nacional sem enxergar contradição nessa escolha.
Por isso, os votos de Lula em Pernambuco não podem ser tratados como patrimônio exclusivo do PT, muito menos como resultado automático da influência do PSB ou de uma única liderança política.
Os votos pertencem aos eleitores. E a eleição mostrou que muitos pernambucanos têm autonomia para fazer suas escolhas, inclusive contrariando as expectativas das próprias estruturas partidárias.
A votação de Raquel Lyra e o crescimento da votação de Lula oferecem elementos concretos para compreender essa realidade. O desafio agora é reconhecer que o eleitorado pernambucano não tem dono e que nenhuma força política pode reivindicar para si, isoladamente, o resultado das urnas.