Campanha eleitoral de Lula foca na morte de Ana Clara
Por Vitória Virgínia
Em uma estratégia para reduzir a vantagem conquistada pelo candidato Flávio Bolsonaro (PL) no 1° turno da corrida à Presidência, a campanha para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vem insistindo no fato de o senador ter atuado na defesa do policial militar acusado de matar Ana Clara, de 5 anos, no Rio de Janeiro, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Movimentos sociais fazem manifestação em Brasília, hoje, pedindo que o Judiciário não permita que esse crime bárbaro fique impune.
No horário eleitoral gratuito de ontem na TV, Lula voltou a destacar a atuação de Flávio como advogado do policial militar Bruno Dias Dellaroli, apontado como autor do crime. A peça exibiu ainda uma depoimento da mãe de Ana Clara, um recorte do vídeo Revelando: O Julgamento que Nunca Aconteceu, o caso Ana Clara, com Camila Pitanga, disponível no YouTube.
Impunidade
Ana Clara Gomes Machado foi morta em 2021 por um disparo de fuzil enquanto brincava na porta de casa, em uma comunidade de Niterói (RJ), durante uma ação policial. Segundo denúncia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), o disparo veio do policial militar Bruno Dias Delaroli. Ele foi preso em flagrante e denunciado por homicídio qualificado, sob a acusação de ter assumido o risco de matar.
Posteriormente, a prisão do militar foi revogada, com a imposição de medidas cautelares. A Justiça, então, decidiu submeter o caso a júri popular. Em 2024, o senador Flávio Bolsonaro ingressou na defesa do criminoso e assinou o documento para reverter o encaminhamento ao Tribunal do Júri. O pedido foi negado, no entanto, até o momento, Delaroli não foi julgado. O julgamento foi marcado para 2027.
O líder do PT no Senado, Camilo Santana (PT-CE), que também atua na coordenação do presidente, também apresentou um projeto de lei que impede membros do Poder Legislativo de exercer advocacia em casos de crimes contra a vida. A ideia é proteger a investigação e o julgamento dessa interferência.
O senador intitulou a iniciativa como "Lei Ana Clara" e, se aprovada, a nova legislação valeria para casos posteriores a sua vigência. O projeto detalha ainda que o advogado que estiver abrangido pelo impedimento deverá comunicar, até a mudança entrar em vigor, a necessidade da sua substituição.
Manifestações
Em Brasília, hoje, o tema será abordado em protesto em frente ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Coletivos marcaram manifestação contra a decisão do ministro André Mendonça, que determinou a suspensão do impulsionamento de postagens da campanha do presidente Lula que ligavam o filho mais velho de Jair Bolsonaro ao caso Ana Clara.
O protesto está marcado para às 13h e contará com a participação de membros da União Brasileira de Mulheres (UBM) e dos coletivos Criança Não É Mãe, Campanha Faça Bonito e do Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual de Crianças e Adolescentes.
A manifestação será contra a "censura" e em defesa do direito do cidadão de ter acesso à informações sobre o caso de Ana Clara e não poupa críticas à atuação do ministro André Mendonça, do Supremo Trubinal Federal (STF), indicado por Jair Bolsonaro, para impedir a divulgação do caso.
"Além da censura de André Mendonça, isso abafa mais uma vez o assassinato de uma criança e a luta de uma mãe por justiça", indicou a convocação. "Venha com seu cartaz. Ana Clara precisa de justiça e Censura Nunca Mais", acrescentou.
Ao Correio, Ana Carolina Tessmann, professora que integra a mobilização, defendeu que é direito do cidadão ter conhecimento sobre fatos que envolvem um candidato à Presidência da República. Ela ainda avaliou que a decisão de Mendonça foi uma tentativa de influenciar no processo eleitoral.
"Esse advogado, agora, é candidato à Presidência. Essa informação não pode ser negada à sociedade brasileira", afirmou. "Mendonça, em mais uma das suas tentativas de influenciar no resultado de um processo eleitoral, toma uma atitude que fere a todas nós mulheres, porque todas nós estamos interessadas no julgamento do assassino de Ana Clara", lamentou Tessmann. Com informações do Correio Braziliense.