Gov
PF está de olho nos passos de Willer Tomaz
Policia Federal
Investigação

PF está de olho nos passos de Willer Tomaz

Por Vitória Virgínia

A viagem do advogado Willer Tomaz ao exterior, em meio às investigações contra ele, ativou o alerta de investigadores da Polícia Federal. O jurista é alvo de diligências para apurar suspeitas de lavagem de dinheiro e irregularidades relacionadas a descontos ilegais em aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Willer é amigo próximo do senador Flávio Bolsonaro (PL), que concorre à Presidência da República. Ambos são investigados no mesmo inquérito.

Oficialmente, não há medidas judiciais que impeçam o advogado de sair do país. No entanto, dentro da corporação, correm boatos de que a saída do território nacional pode ser uma forma de fugir de eventuais medidas da Justiça, como novas ações de busca e apreensão ou medidas cautelares. O inquérito que mira o advogado foi aberto no Supremo Tribunal Federal (STF) no dia 8 deste mês. O relator do caso é o ministro Alexandre de Moraes, que foi escolhido por sorteio.

A suspeita principal é de lavagem de dinheiro envolvendo apostas esportivas. De acordo com interlocutores de Willer, ouvidos pela reportagem sob a condição de anonimato, ele deixou o Brasil com a esposa e os filhos. O objetivo seria visitar locais de lazer no exterior. Não há data prevista para retorno, de acordo com essas fontes.

Procurado pela reportagem, o advogado ainda não se manifestou. A investigação da Polícia Federal sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz também alcança o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) e o ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), que está nos Estados Unidos ilegalmente. A apuração busca esclarecer possíveis conexões entre o advogado, políticos e empresas ligadas ao mercado de apostas esportivas.

De acordo com as investigações, somente neste ano, o advogado movimentou R$ 1,3 bilhão em apostas on-line, especialmente, no chamado Jogo do Tigrinho. Em 2025, foram R$ 5 bilhões, tornando-o maior apostador do país.

Os valores movimentados não representam a quantia depositada, pois um montante bem menor adicionado ao saldo pode ser usado diversas vezes, entre ganhos e perdas nas plataformas. Em um processo movido na Justiça de São Paulo, o advogado afirmou que sofre de ludopatia, que é o vício em jogos. O volume financeiro chamou a atenção dos investigadores por, aparentemente, não corresponder às atividades econômicas conhecidas do advogado.

Os investigadores apuram se Flávio teria atuado com Tomaz em um suposto esquema de lavagem de dinheiro. O procedimento também investiga possíveis vazamentos de informações sobre processos em andamento no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Flávio classificou as notícias como falsas, enquanto Tomaz e Castro negam irregularidades. O nome do ex-governador aparece na apuração em razão de mensagens encontradas no celular de Tomaz e de possíveis conexões do advogado com empresas que atuam no setor de apostas no Rio de Janeiro. Uma delas é a Rede Loto, primeira empresa credenciada pela Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj) para operar apostas esportivas on-line, em maio de 2023, durante a gestão do ex-governador.

Bunker para dinheiro

Os investigadores da PF encontraram uma sala secreta em um hangar no Aeroporto Internacional de Brasília, usado por empresas de transporte aéreo de Willer Tomaz. A suspeita é de que o espaço tenha sido usado para guardar dinheiro ilegal, além de bens de alto valor. A porta da sala era blindada e estava escondida atrás de um painel de madeira, que simulava uma parede. Dentro da sala, havia estantes, uma mala vazia e uma máquina de contar dinheiro.

O "aprofundamento das investigações" levou à localização do espaço, de acordo com fontes ligadas ao caso. Uma denúncia anônima levou a PF ao local durante uma operação de busca e apreensão, em agosto deste ano, quando a Polícia cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços de Willer no âmbito da Operação Sem Desconto.

Nas redes sociais, o advogado negou irregularidades e disse que a sala é de apoio para empresa de transporte de valores. "O que a PF encontrou lá? Nada, nem um real. O Flávio não tem nada a ver com minha empresa de transporte de valores. Mas sem o nome dele não teria reportagem", escreveu.