Estamos ao vivo agora!

Assistir agora
Gov
Defesa nega que Bolsonaro autorizou IA usada em convenção de Flávio no PL
Reprodução
Eleições

Defesa nega que Bolsonaro autorizou IA usada em convenção de Flávio no PL

Por Vitória Virginia

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro respondeu ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira (29/7), afirmando que ele não autorizou o uso de sua imagem e voz para a produção de um vídeo produzido por inteligência artificial (IA). O material foi exibido no sábado (25) durante a convenção nacional do Partido Liberal (PL) que oficializou a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.

Os advogados argumentam que Bolsonaro não poderia ter autorizado o vídeo devido ao isolamento imposto por decisões judiciais anteriores. Desde o dia 17, o ex-presidente está com o direito de visitas suspenso por 30 dias, enquanto seu filho está proibido de visitá-lo por 90 dias. Segundo a defesa, essas restrições “evidenciam a inexistência de qualquer contato destinado à obtenção de autorização específica”.

Os advogados ressaltaram, contudo, que os filhos do ex-mandatário utilizam sua imagem pública em atividades político-partidárias de forma “notória e contínua” desde que ele exercia a Presidência, sem nunca ter havido oposição. Eles atribuem essa prática à “natural relação de confiança entre pai e filhos”.

A manifestação atende a uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, que estipulou na terça-feira (28) o prazo de 48 horas para a prestação de esclarecimentos. O episódio traz duas frentes de risco jurídico para o grupo político: caso tivesse autorizado o conteúdo, Bolsonaro cometeria uma nova e grave transgressão às regras de sua prisão domiciliar humanitária, o que poderia resultar na regressão para o regime fechado.

Por outro lado, como a defesa nega a autorização do ex-presidente, a produção e divulgação do vídeo por Flávio e pelo PL passa a ser enquadrada como “deepfake”, prática expressamente vedada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A conduta pode caracterizar desinformação eleitoral ao simular o apoio de uma liderança com os direitos políticos suspensos.

Na gravação questionada, o avatar de Bolsonaro afirmava que “o Brasil tem futuro e o futuro é Flávio Bolsonaro presidente”. Em documento separado protocolado no TSE, a defesa do senador argumentou que o conteúdo não configurava pedido de voto, se tratando apenas de um “boneco tecnológico” com marcas d’água explícitas que sinalizavam o uso de IA.

Os advogados chegaram a comparar a ferramenta a “bonecos de papel ou máscaras” tradicionalmente utilizados em campanhas. O caso segue sob análise de Moraes, no STF, e do ministro Kassio Nunes Marques, atual presidente do TSE. Com informações do Correio Braziliense.